Manifestações de Pablo Megracko

Espaço dedicado às manifestações do companheiro Pablo.

Gabriel

1 de mai de 2011

Diga-lhes, pó

.
Sol de prata da meia-noite
diga aos homens quem sou
diga a eles que não estou aqui
que danço à roda de fogo na estrada

Lua dourada do fim dos dias
diga-lhes que é só o começo
que é só a areia branca no mar de sonhos
que sou plâncton perdido nos pés dos amantes

Diga às moças que sou vento flutuante em popa
enquanto na proa os autos choram e riem e morrem
afogados no mar que ouvia só o violino lento
enquanto os romances se acabam na noite estrelada

Diga às paredes e à poltrona e ao piano o que sou
discreto como música suave na intimidade dos casais
E na noite fria, à vela no quarto do mar, sou as descobertas
Sou o som que para e um uivo de longe, só não estou lá

Chuva de raios do vento de maio no meio-fio da vista que voa pela
[janela
diga aos homens que danço à roda de fogo na estrada
que sou plâncton perdido no pé dos olhos dela
que sou vento em popa e não quero outra coisa
o silêncio da música em tempo do uivo distante
o percurso do olhar de rapina no pôr-do-sol
que sou paixão entre dois olhos infantes
o incêndio sólido entre os corpos
a fronteira entre luz e sombra
o tempo entre ficar e sorrir

De alegria chorei
de tristeza parti
na terra sã

Sou Nanã
os olhos que despertam a manhã

Um comentário:

  1. "sol de prata (...) Diga a eles que não estou aqui que danço à roda de fogo na estrada (...) Diga às moças que sou vento flutuante em popa"

    Menino estrada,
    menino que partirá
    num piscar de olhos,
    que mesmo assim,
    deixará em mim,
    um sorriso liberto,
    uma lágrima feliz!

    Adoro suas letras!
    parabens

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