Manifestações de Pablo Megracko

Espaço dedicado às manifestações do companheiro Pablo.

Gabriel

1 de mai de 2011

Recanto

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Há um vestígio de vida nas praças da cidade
Escondido sob a terra, sustentando as origens
Buscando a essência intacta na memória suprema
Evitando as premissas e dispensando a certeza

Transeuntes distraídos se esquecem das raízes de forma irreversível
E a cada novo espinho de rosa, a prosa dos homens é mais indistinta

E os serais místicos dos gatos
E o sonho nocturno das flores
Almas inquietas das praças
a rir do choro contido
dos figurantes dispersos
Aram a noite estrangeira
e esperam o calor do Sol
que alimente a escuridão
a novo período eterno

Deus, louve o vestígio de vida nas praças da cidade

4 comentários:

  1. as praças da cidade, os vestígios de vida, a prosa dos homens, indistintas almas inquietas, a noite estrangeira...
    tanto isso me diz...

    muito bom, um dos melhores que li até agora!

    congratulações escritor!

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  2. "nocturno", Gabriel! Que lindo o arcaísmo nesse poema tão contemporâneo!

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  3. e por falar em vida há vestígios de dela nos ônibus lotados da grande cidade.
    há vida cruzando com outras vidas desconhecidas que entrega um papel branco que te faz chegar até aqui e ler teus poemas, seus sentires.

    eu de passagem por são paulo fui atraída por um livro que você carregava nos braços, agora já não me lembro mais do livro, pois minha memória anda falha pra certas lembrança. mas enquanto perco memória o corpo guarda elas.

    e você ao descer na sua parada me pergunta algo sobre a cidade e não sei responder, mas minha amiga ao lado responde em simultaneidade a resposta quando digo que não sei. e descemos.
    e daí em diante a vida segue como um ônibus que para de pontos em pontos num vai e vem.

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