Manifestações de Pablo Megracko

Espaço dedicado às manifestações do companheiro Pablo.

Gabriel

1 de mai de 2011

Complementar

.
Ando pelos que não andam
Canso pelos que não param
Olho pelos que não vêm
e fecho os olhos quando é tarde

Corro pelos que não correm
Fumo pelos que não saboreiam
Canto no funeral dos homens
e me guardo pelos que guerreiam

Desisto pelos teimosos
Sangro pelos apáticos
Sorrio pelos raivosos
e choro pelos que não choram

Peço licença para o vento
mas destruo coisas sólidas
Os dias que passam lentos
findam em sonhos de noites tórridas

4 comentários:

  1. Nossa, muito bonitos esse e o anterior. O difícil é analisar...

    ResponderExcluir
  2. Depois de uma noite forte de um dia difícil, a ressaca toma conta de mim – Nem acredito que consegui levantar - ok, Observações importantes:
    1- Estou na casa da minha amiga
    2- Verifico se tenho dinheiro para voltar para a minha – Check!
    3- Rota: ônibus (1) até a Paulista, metro, baldeação no Paraíso rumo linha azul, ônibus (2) armênia – Barueri centro, ônibus (3) Barueri – casa.
    4- Que preguiça
    No 1º ônibus o calor já estava complicado, comecei a me estressar, descendo para o metro recebi uma ligação totalmente desagradável - Ah, estou no metro, o sinal vai cair – Desci no Paraíso.
    Subindo a escada rolante uma mão entra na minha frente com um papelzinho (sempre pego os papeizinhos, porque eu sei que os entregadores de panfleto só vão embora quando terminarem o bolinho), bom, não era um panfleto, era um poeminha! Sorri e procurei pela pessoa que me entregou, dica, estava ao meu lado. Ele brincou com meu soco Inglês (Acredito ser a única pessoa que não me perguntou se era uma patinha). Literatura na USP (tenho certeza!), com um sorriso simpático e um rosto familiar, ele me falou que o jeito que eu me visto diz muito sobre mim, pensou que eu fosse uma hooligan -Eu sei, sou estudante de moda - A idéia do soquinho não era exatamente essa, mas bom saber que assusta as pessoas – Lembrar, Priscila, só use em dias de stress no metro.
    Trocamos algumas palavras e um sorriso, entramos no metro.
    Olhei para ele algumas vezes, ele não olhou para mim, sentei.
    O vi se aproximar, brincou de novo com meus penduricalhos todos, a porta abril e ele não saiu, ficou falando rápido e prestando atenção no que eu dizia, achei que fosse ficar mais um pouco, mas com outro sorriso foi embora.
    Desci umas três estações depois, parei no ponto para esperar o ônibus 2 e um maluco parou na minha frente “Quanta felicidade, loirinha”, ele disse, e saiu – Felicidade? Morta de ressaca, dor de cabeça, estressada e esse não é nem meu ultimo ônibus! –
    Saco, aquele poeta alegrou o meu dia.

    ResponderExcluir
  3. Priscila,

    a maior alegria de alguém que tem a necessidade fisiológica de se expressar e dizer aquilo que vê e que acredita faltar na natureza em que vive é entrar na cabeça de um outro e sentir-se propagado; moldar detalhadamente o mundo a seu modo. Você assimilou a coisa de um jeito inesperado pra mim. E o melhor é que serviu pro seu dia todo, a começar pela sua ressaca... e depois pelo calor, pelo caos urbano, que eu mesmo só consigo curar pelos mesmos motivos que fizeram alegrar o seu dia: liberando o espaço ocupado pelas vicissitudes da vida para colocar nele algo de importância mais próxima da realidade do nosso corpo, nossa alma e nossa natureza.

    Saco, o tal do papelzinho deu certo, vou ter que fazer mais.

    ResponderExcluir